Ao final da Avenida das Prerrogativas, na primeira edição da Cidade da Advocacia, Leonardo Lamachia instalou o gabinete da presidência da OAB/RS. O gesto dava forma pública a uma escolha de gestão: levar a mesa de trabalho ao centro do espaço criado para reunir a advocacia gaúcha. Ali, recebeu dirigentes de subseções, lideranças profissionais, colegas e autoridades, com a instituição em contato direto com os advogados que sustentam sua razão de existir.
Aquele gabinete provisório sintetizava uma ideia de disponibilidade institucional. A OAB/RS abria uma cidade própria para a advocacia e colocava seu comando ao alcance da base, no mesmo território em que os profissionais se reuniam para aprender, encontrar colegas, acessar serviços e afirmar pertencimento. No Cais Embarcadero, em Porto Alegre, Lamachia assumia uma condição que o título formal do cargo não expressa por inteiro: tornava-se, naqueles dias, o presidente da Cidade.
A expressão tem força porque a Cidade da Advocacia criou uma forma concreta de comunidade profissional. Leonardo Lamachia preside a OAB/RS, mas naquele território temporário sua liderança ganhava outra textura. A Ordem aparecia como espaço comum, com endereço, fluxo, memória e sentido de reunião. Advogados vindos de diferentes realidades do Estado encontravam, em grau concentrado, uma entidade já presente na vida institucional da categoria, com sua disponibilidade ampliada pelo evento e organizada para aproximar ainda mais a representação de seus profissionais.
A Cidade da Advocacia nasceu como resposta a uma mudança profunda na rotina da profissão. O processo eletrônico alterou a circulação nos fóruns, a pandemia intensificou o trabalho mediado por telas e a advocacia perdeu parte do convívio formado nos corredores, nas esperas, nos encontros casuais e nas práticas presenciais da Justiça. Lamachia percebeu que esse deslocamento pedia uma realização capaz de devolver à categoria um espaço comum, onde o encontro físico recuperasse valor institucional e humano.
A força do projeto está na passagem entre diagnóstico e realização. A Cidade da Advocacia organizou uma resposta concreta ao afastamento profissional provocado pela nova rotina da advocacia, com conteúdo técnico, serviços da Ordem, atuação da Caixa de Assistência, escuta institucional e contato direto entre colegas. O advogado encontra ali uma estrutura que conversa com sua realidade e percebe a entidade funcionando diante de si, em uma escala difícil de alcançar no expediente comum das sedes, subseções e canais administrativos.
Leonardo Lamachia é advogado, natural de Porto Alegre, formado em Direito pela PUCRS, com atuação em Direito Empresarial e experiência em sustentações orais em tribunais estaduais e cortes superiores. Sua trajetória profissional se formou em um campo no qual empresas, Estado, relações econômicas e segurança jurídica se encontram. Esse percurso técnico dá consistência ao dirigente, e sua marca pública na seccional gaúcha ganhou expressão maior quando a representação institucional se traduziu em território, agenda e encontro.
O sobrenome Lamachia tem lugar conhecido na advocacia brasileira. Claudio Lamachia, seu irmão, foi o primeiro gaúcho a presidir a OAB Nacional. Leonardo, porém, construiu na OAB/RS uma assinatura própria. A Cidade da Advocacia deu materialidade à sua gestão. A seccional passou a ser lembrada por uma realização que a categoria atravessa com o corpo, com o tempo e com a memória, em uma experiência acessível ao advogado que vive as exigências diárias da profissão.
A reeleição de Lamachia para o triênio 2025–2027 confirmou esse reconhecimento institucional com números expressivos. Em um pleito com 52.857 participantes, recebeu 38.070 votos e alcançou 77% dos votos válidos. Em entidades de classe, uma votação dessa dimensão traduz confiança organizada. No caso da OAB/RS, registra a percepção de uma gestão que entregou presença concreta à advocacia e consolidou uma forma direta de relação entre a entidade e sua base.
A primeira edição da Cidade da Advocacia, em 2022, já nasceu com densidade. Mais de 5 mil participantes ocuparam o Cais Embarcadero em uma programação que reunia 30 áreas do Direito e 50 painéis. O ponto de partida revelava uma ambição institucional superior à de uma agenda técnica convencional. A OAB/RS e a CAARS criaram um território de pertencimento profissional, no qual a formação jurídica se encontrava com o cuidado, a representação e a vivência coletiva da carreira.
A escolha do nome carregava precisão. Cidade sugere endereço, orientação, convivência e vida pública. A advocacia era convidada a entrar em um lugar construído para ela, com a Avenida das Prerrogativas como eixo simbólico e a presença da Ordem como estrutura de acolhimento. Desde a origem, o evento afirmava uma mensagem simples e forte: a categoria teria um espaço próprio, aberto, gratuito e reconhecível dentro da capital gaúcha.
Em 2023, o público chegou a 15 mil participantes. A segunda edição triplicou o alcance inicial e consolidou a Cidade como marca de gestão. O crescimento registrava adesão da base, capacidade de organização e uma demanda profissional latente por reencontro. A advocacia, habituada a transitar entre fóruns, escritórios, instituições e espaços de representação, encontrou no Cais um ponto de convergência capaz de dar forma contemporânea a uma tradição de convívio.
A edição de 2024 acrescentou uma camada emocional à história. O Rio Grande do Sul enfrentava as consequências da maior inundação de sua história recente, e qualquer realização pública carregava o peso da reconstrução. Naquele contexto, a Cidade da Advocacia funcionou como sinal de retomada coletiva. A comunidade jurídica, afetada em sua rotina e chamada a participar da reorganização social do Estado, reuniu-se em torno de uma Ordem capaz de acolher, orientar e afirmar continuidade institucional em meio à recomposição.
Em 2025, a quarta edição alcançou 28 mil inscritos, ocupou 12 palcos simultâneos e somou mais de 500 horas de conteúdo. A escala passou a colocar a iniciativa em dimensão nacional. A Cidade da Advocacia já era apresentada pela OAB/RS como o maior evento jurídico gratuito do Brasil. A gratuidade tornou-se parte essencial do sentido institucional da realização, pois ampliou o acesso a conhecimento, assistência, convivência e reconhecimento para profissionais em diferentes momentos da carreira.
A edição de 2026 chega com projeção de 40 mil inscritos, 14 palcos simultâneos e mais de 120 painéis. A quinta edição reúne a XI Conferência Estadual da Advocacia e amplia o peso institucional do encontro. A CAARS integra a realização com serviços voltados ao cuidado profissional, à assistência e à presença de colegas do interior, compondo uma experiência técnica, humana e institucional no mesmo ambiente.
O Cais Embarcadero cumpre papel decisivo nessa construção pública. A orla de Porto Alegre oferece um cenário urbano de grande reconhecimento, aberto à capital e marcado pela presença do Guaíba. Ao ocupar esse espaço, a advocacia inscreve sua agenda em um lugar de circulação social ampla e dá à OAB/RS uma existência material diante da cidade. A seccional deixa sua sede, ocupa a paisagem pública e recebe profissionais do interior em um território que comunica acolhimento, escala e pertencimento.
A Cidade da Advocacia revela uma compreensão refinada de comunicação institucional. Entidades representativas ganham força quando seus públicos conseguem percebê-las em ação. Ali, a OAB/RS se apresenta por meio de atendimento, conteúdo, assistência, escuta e convivência. A política de classe se torna experiência comum. O advogado vê a entidade funcionando diante de si e reconhece, no mesmo movimento, a utilidade prática e o valor simbólico da representação.
A dimensão estadual do evento reforça essa marca. A advocacia gaúcha vive realidades muito diferentes entre capital, região metropolitana, municípios médios, pequenas comarcas e localidades distantes dos centros de decisão. A Cidade cria um ponto de encontro em que essas diferenças se reconhecem dentro de uma mesma estrutura institucional. Ao receber profissionais de todo o Estado, Lamachia afirma uma ideia de unidade construída pela atuação efetiva da OAB/RS junto às diferentes realidades da profissão.
O gabinete instalado na Avenida das Prerrogativas, em 2022, ganha sentido completo quando observado por esse ângulo. A direção da seccional se colocou no lugar em que a base estava reunida. A instituição abriu espaço para a categoria se encontrar com sua representação e deu forma concreta a uma escuta direta. O endereço provisório do gabinete carregava uma mensagem de gestão: a autoridade institucional se fortalece quando se aproxima da rotina profissional que representa.
A Avenida das Prerrogativas concentrava um dos temas permanentes da advocacia. Ao final dela, o gabinete funcionava como ponto de recepção, diálogo e afirmação institucional. Lamachia construiu ali uma forma de liderança marcada pela ocupação do espaço público, pela disponibilidade constante e pela criação de ritos capazes de tornar a OAB/RS uma experiência compartilhada. A Cidade da Advocacia ofereceu ao seu comando o território mais evidente desse método.
A Cidade da Advocacia tornou reconhecível uma marca de gestão: a Ordem próxima da base, em espaço público, recebendo profissionais de todo o Estado e colocando serviços, conteúdo e defesa das prerrogativas no mesmo ambiente de convivência. No Cais, a liderança de Lamachia se afirma pela capacidade de reunir, acolher e dar forma institucional ao pertencimento da categoria.
O crescimento da Cidade reforça uma dimensão rara em eventos de classe: a capacidade de converter programação em memória coletiva. A advocacia comparece pela utilidade profissional e permanece marcada pelo sentimento de participar de uma celebração de identidade. Profissões com tradição institucional precisam de símbolos compartilhados para preservar coesão e orgulho. A OAB carrega história, defesa permanente de prerrogativas, vida associativa, debates internos e responsabilidade pública. A Cidade da Advocacia reúne esse patrimônio em uma forma acessível, contemporânea e próxima do advogado que enfrenta a rotina concreta da carreira.
Nessa realização, Leonardo Lamachia encontrou seu eixo público mais expressivo. O currículo jurídico sustenta sua legitimidade profissional. A votação interna confirma confiança política. A Cidade da Advocacia revela sua maneira de exercer liderança: aproximar a OAB/RS da base, criar formas concretas de pertencimento e converter representação em prática institucional. Sua gestão ganhou corpo no Cais porque ofereceu à advocacia um lugar onde a entidade podia ser vista, acessada e reconhecida.
A quinta edição, em agosto de 2026, chega com o peso de uma realização incorporada à agenda da profissão. A Cidade da Advocacia estará maior, mais densa e mais identificada com a memória recente da OAB/RS. Lamachia estará novamente no centro desse território simbólico, conduzindo uma instituição que escolheu dar endereço, escala e forma pública à sua relação com a categoria. Fica a marca de um dirigente que escolheu ser lembrado pela cidade que ajudou a erguer: o presidente da Cidade.
